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Ser é improvável, amar é inviável. E outras tantas coisas que a gente costuma desejar ferrenhamente também. Não conseguimos precisar exatamente desde quando – se por causa da constação da inversão sujeito-predicado; se devido à publicação do último poema (com cessão dos direitos de autor à editora, evidentemente). Mas, o fato, é que o projeto surrealista vingou pra desespero do Dalí!. Foi aí que o mundo, que a realidade, se tornou tão impensável e cheio de realizações superiores a qualquer grande idéia, que passou a ser inútil tê-las!
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A obra de Houxley foi, sem dúvida, admirável. Mas, nesse nosso Mundo Novo, quem seria capaz de admirá-la? Quem poderia ficar estarrecido com o uso de soma enquanto buscamos toneladas de anti-depressivos para obter efeitos tão semelhantes?! Quem há de alarmar-se com sugestões hipnolépticas num mundo posterior a Joseph Goebbels e Walt Disney?! Falar do Big Brother de 1984 é, evidentemente, desnecessário.
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Eis que só nos resta, forçosamente, o projeto anti-surrealista. Não é uma escolha estética, sequer é uma opção. É apenas o que há a fazer quando todas as canções estão vendidas, todas as telas arrematadas, todas as situações estão preditas, todas as idéias ultrapassadas. Os grafites serão enclausurados em salas de colecionadores e todos os partidos permanecerão internados.
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Essa grande peça de ficção cujo estágio solapa qualquer pretensão humanista, quem escreve é um deus entalhado por nós e superior a todos. Um ser que chega a beirar a autêntica divindade. E nós nos divertiremos agora julgando a sua obra, revelando as suas farsas e constrangendo o absurdo – matéria primordial dessa narrativa no capítulo que estrelamos.
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As ferramentas a nossa disposição são falsificações. Cópias embaraçadas de tiras da Mafalda, desenhos do Saci Urbano, películas do Michael Moore, situações à francesa, letras do Tom Zé, piadas do Ziraldo, crônicas do Alvarenga e Ranchinho, acordes dos Beatles num rooftop concert, bombas de Guy Fawkes. Longe de comprovar a possibilidade da criação, esses atentados realçam a necessidade de encurralar o espetáculo difusamente e procurar constrangê-lo.
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Ir pra rua e deixar marcas. Encontrou algum rastro?
1) Eita, tem algo escrito no meu guardanapo!

Putz!
Nem sei o que dizer…
Não abdique à função de criar o mundo
Se quer mostrar algo crie algo que apareça
Sabotar é fácil
Sabotar, como se argumenta, não é fácil. Mas se fosse, não deixaria de ser importante. E não deixaria de ser criativo!
Um abraço.
Sei q fui chato. Peço desculpas pelo tom desnecessário. Mas se eu disse alguma coisa é pq vejo muita coisa legal no grupo de vocês. Coisa q eu mesmo não tenho feito. Mas sinto q vcs não se arriscam, não se expõe, achei as ações de vocês muito confortáveis. Por exemplo, eu queria ir num desses encontros e não achei nem o endereço nem o horário aqui no site. Será q sou cego, ou será q vcs têm medo, querendo ou sem querer, de deixar qualquer um entrar na discussão? Digo medo mesmo de assaltantes, não medo de discutir, q acredito q vcs não tenham. Quase fui roubado de novo por esses dias, e tb vivo cheio de medo, mas acredito q ações artísticas têm q ser mais incisivas e arriscadas, ainda q não violentas. Me desculpem novamente pelos meus modos, o q quero, sinceramente, é conversar sobre arte e ações artísticas possíveis nos dias de hoje. Quando digo, acreditem, digo a mim mesmo: temos q ter coragem! Aliás, pq esse nome? trupedasmuiezinha, se vcs não são um grupo de gays nem de de mulheres?
Otávio e demais, não é preciso um ar tão cuidadoso. Não enxerguei no comentário chatice nem rispidez. O que há, evidentemente, é uma divergência quanto a importância da explosão. Essa divergência é replicada entre mim e meus amigos mais afins. Mas acho que acerta ao falar do risco. Há claro exagero de comedimento neste quesito de nossa parte – e pior, mesmo quando o risco é importante. Prefiro acreditar que a causa seja mais a preguiça que o medo – e creio. Mas nem todo risco é importante – embora, exista no blog páginas com o endereço dos encontros sim, tenho dúvidas de que isto seja uma coragem precisa.
Já o conforto é prazeroso e o prazer é fundamental pra qualquer mensagem inspiradora e acompanha toda intervenção que fazemos. Deixamos a chatice para os partidos.
Se tiver interesse em participar dos próximos encontros, escreva-nos (trupedasmuiezinha@gmail.com) e te responderemos. Atualizaremos também o blog, se quiser ficar de olho.
Abraço.
Rodrigo.