Trupe das Muiezinha

4) Em Ação 13 de abril de 2010

Criar é Impossível!!!

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Ser é improvável, amar é inviável. E outras tantas coisas que a gente costuma desejar ferrenhamente também. Não conseguimos precisar exatamente desde quando – se por causa da constação da inversão sujeito-predicado; se devido à publicação do último poema (com cessão dos direitos de autor à editora, evidentemente). Mas, o fato, é que o projeto surrealista vingou pra desespero do Dalí!. Foi aí que o mundo, que a realidade, se tornou tão impensável e cheio de realizações superiores a qualquer grande idéia, que passou a ser inútil tê-las!

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A obra de Houxley foi, sem dúvida, admirável. Mas, nesse nosso Mundo Novo, quem seria capaz de admirá-la? Quem poderia ficar estarrecido com o uso de soma enquanto buscamos toneladas de anti-depressivos para obter efeitos tão semelhantes?! Quem há de alarmar-se com sugestões hipnolépticas num mundo posterior a Joseph Goebbels e Walt Disney?! Falar do Big Brother de 1984 é, evidentemente, desnecessário.

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Eis que só nos resta, forçosamente, o projeto anti-surrealista. Não é uma escolha estética, sequer é uma opção. É apenas o que há a fazer quando todas as canções estão vendidas, todas as telas arrematadas, todas as situações estão preditas, todas as idéias ultrapassadas. Os grafites serão enclausurados em salas de colecionadores e todos os partidos permanecerão internados.

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Essa grande peça de ficção cujo estágio solapa qualquer pretensão humanista, quem escreve é um deus entalhado por nós e superior a todos. Um ser que chega a beirar a autêntica divindade. E nós nos divertiremos agora julgando a sua obra, revelando as suas farsas e constrangendo o absurdo – matéria primordial dessa narrativa no capítulo que estrelamos.
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As ferramentas a nossa disposição são falsificações. Cópias embaraçadas de tiras da Mafalda, desenhos do Saci Urbano, películas do Michael Moore, situações à francesa, letras do Tom Zé, piadas do Ziraldo, crônicas do Alvarenga e Ranchinho, acordes dos Beatles num rooftop concert, bombas de Guy Fawkes. Longe de comprovar a possibilidade da criação, esses atentados realçam a necessidade de encurralar o espetáculo difusamente e procurar constrangê-lo.

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Ir pra rua e deixar marcas. Encontrou algum rastro?

1) Eita, tem algo escrito no meu guardanapo!

2) Eita, tem um bilhete no meu livro!

3) Eita, zoaram as placas!

4) Eita, tem festa no Largo!

 

5 Responses to “4) Em Ação”

  1. Putz!

    Nem sei o que dizer…

  2. Otávio Diz:

    Não abdique à função de criar o mundo
    Se quer mostrar algo crie algo que apareça
    Sabotar é fácil

  3. Psico Diz:

    Sabotar, como se argumenta, não é fácil. Mas se fosse, não deixaria de ser importante. E não deixaria de ser criativo!

    Um abraço.

  4. Otávio Diz:

    Sei q fui chato. Peço desculpas pelo tom desnecessário. Mas se eu disse alguma coisa é pq vejo muita coisa legal no grupo de vocês. Coisa q eu mesmo não tenho feito. Mas sinto q vcs não se arriscam, não se expõe, achei as ações de vocês muito confortáveis. Por exemplo, eu queria ir num desses encontros e não achei nem o endereço nem o horário aqui no site. Será q sou cego, ou será q vcs têm medo, querendo ou sem querer, de deixar qualquer um entrar na discussão? Digo medo mesmo de assaltantes, não medo de discutir, q acredito q vcs não tenham. Quase fui roubado de novo por esses dias, e tb vivo cheio de medo, mas acredito q ações artísticas têm q ser mais incisivas e arriscadas, ainda q não violentas. Me desculpem novamente pelos meus modos, o q quero, sinceramente, é conversar sobre arte e ações artísticas possíveis nos dias de hoje. Quando digo, acreditem, digo a mim mesmo: temos q ter coragem! Aliás, pq esse nome? trupedasmuiezinha, se vcs não são um grupo de gays nem de de mulheres?

  5. Psico Diz:

    Otávio e demais, não é preciso um ar tão cuidadoso. Não enxerguei no comentário chatice nem rispidez. O que há, evidentemente, é uma divergência quanto a importância da explosão. Essa divergência é replicada entre mim e meus amigos mais afins. Mas acho que acerta ao falar do risco. Há claro exagero de comedimento neste quesito de nossa parte – e pior, mesmo quando o risco é importante. Prefiro acreditar que a causa seja mais a preguiça que o medo – e creio. Mas nem todo risco é importante – embora, exista no blog páginas com o endereço dos encontros sim, tenho dúvidas de que isto seja uma coragem precisa.
    Já o conforto é prazeroso e o prazer é fundamental pra qualquer mensagem inspiradora e acompanha toda intervenção que fazemos. Deixamos a chatice para os partidos.
    Se tiver interesse em participar dos próximos encontros, escreva-nos (trupedasmuiezinha@gmail.com) e te responderemos. Atualizaremos também o blog, se quiser ficar de olho.
    Abraço.

    Rodrigo.


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