A vida ultrapassa a arte
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Roubamos a idéia dessa intervenção do conto do Rodrigo Maceira. E o que torna a ação mais potente que o próprio conto é, unicamente, a realidade, pois nenhum ambiente inventado, por mais que se creia na imaginação e no autor, poderia sobrepor-se às possibilidades ficcionais deste mundo!
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É inútil, Rodrigo, exagerar e delatar o absurdo, visto que o absurdo superlativiza e escancara a si próprio! Assim é que torna-se a normalidade e esteriliza a denúncia.
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A saída, embora não seja a solução, é confrontá-lo e constrangê-lo na sua arena espetacular. Para exercício do escárnio; por puro deleite. Encará-lo duma perspectiva sobre-absurda até que, desconfortável, admita-se surréel*.
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Se não fosse assim, por que mais seria necessário ser surpreendido com um bilhete no seu livro para reconhecer o elementar? Que esses livros dizem besteiras sobre temas irrelevantes!
