(Por Alexsander Castro)*.
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Comida latino-americana? Que é isso? Tantos países, hábitos e gostos… Levei quase duas semanas pra decidir o que fazer e acho que ainda não escolhi direito…
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Gostaria que fosse algo originalíssimo e pouco comum na culinária brasileira, pois era pra provarmos coisas diferentes. Mas, no meio da pesquisa, descobri que os hábitos alimentares dos latinos são bem semelhantes. Pairam geralmente sobre as mesas da América do Sul arroz, feijão, milho e derivados. A maioria dos países tem as bases culinárias assentadas nas cuias indígenas, fortemente influenciadas pelas mãos africanas onde elas estiveram mais presentes, tudo isso misturado ao toque dos imigrantes europeus. Estes últimos, mais marcantes no sul do continente.
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Ficou difícil escolher alguma coisa que não passasse também pela cozinha brazuca. Então resolvi procurar algo ao menos inusitado.
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A primeira idéia foi escolher um país e mandar entrada, prato principal e sobremesa, pra saborear de vez e logo tudo. Mas aí pensei que a Argentina poderia ser uma opção e desisti… Acabei entrando pelos Andes, dando uma volta na Bacia Platina e terminando aqui, é claro…
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Pra começar, vamos de Peru! Calma, é Ceviche (ninguém concorda em como escrever isso[1] ). Ceviche ou cebiche, é um prato de origem peruana baseado em peixe marinado em suco de algum cítrico. Outros ingredientes “obrigatórios”, pelo menos no Peru onde é considerado o “prato nacional”, são cebola e pimenta. O prato é servido com os acessórios abacate, milho, ou batata-doce, ou uma leguminosa qualquer, que é pra dar “sustânça”.
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De lá, vamos ao Paraguai buscar uma receita popular, o Kivevé, prato levemente adocicado feito de abóbora. Uma polenta paraguaia que deve acompanhar bem nosso assado.
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Com um pulinho, pegamos dos uruguaios o prato principal, que parece ser uma predileção domingueira. O matambre marinado no leite e lentamente assado.
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Olhem o matambre (número 9):
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E pra fechar, deixando o final por aqui, o doce dos deuses, a Ambrosia, receita mineira que alguns ousam dizer que teve suas origens em Portugal…
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Ainda não pensei em algo para os que correm do sabor dos animais. Mas, vegetarianos do mundo, estejam certos que não hei de deixá-los famintos.
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Caríssimos, brincadeiras à parte, espero que dê tudo certo, nada queime ou fique duro, vocês gostem, e Hasta la vitoria!!!
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[1] Aparentemente, nem os próprios “donos” do prato sabem exactamente como se deve escrever, isto porque em espanhol o “b” e o “v” tem o mesmo som (informalmente, o espanhol culto, os sons dessas letras são iguais aos do portugués) e eles referem-se a esta letras como “b-larga” e “v-curta”. Já numa coisa, eles estão de acordo: a primeira letra “não pode” ser o “z” (que eles chamam zeta, mas que na maioria das variações do espanhol fora da Espanha, é pronunciado seta).
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Mas há uma teoria interessante: embora a conservação do pescado com líquidos (como a salmoura, por exemplo) seja um conhecimento provavelmente pré-histórico, os citrinos foram introduzidos na Europa pelos árabes e daí foram levados para as colónias onde, aparentemente, lhes foram dados outros usos. No entanto, a teoria continua com uma variante do escabeche, que supostamente provém da palavra árabe “iskbꪔ (em vez da vizinha “sikb⪔, que é traduzida como “guisado de carne com vinagre e outros ingredientes”) ao qual os espanhóis começaram a adicionar bastante cebola, para o tornar menos ácido. Então, o “escabeche de cebola” teria-se tornado Cebiche.
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Outra versão, mais “clássica”, seria do latim “cebo” que significava “comida abundante”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki)
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* Alexsander Castro, o Alex, mineiro de Belo Horizonte, estudou direito na UFMG e veio pra São Paulo a trabalho em 2007. É ele o responsável pela boa comida nas reuniões entre amigos, porque consegue transformar qualquer pão com atum num delicioso (e bem apresentado) petisco.