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“Quando eu era criança, meu herói preferido era o Batman. Hoje, depois que cresci, meu herói é o Coringa.” (Mano Brown).
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Outro dia assisti ao filme Homem Aranha 3, que passou na Tela Quente. Do meu lado estavam um garotinho de apenas 5 anos de idade, e a mãe dele, que já passou dos 30. O garoto que normalmente tem sono depois das 23h, estava elétrico: Tinha os olhos bem abertos, os ouvidos atentos e a mente desperta. Minha amiga, que se comprometeu em assistir o filme conosco, e também tem sono depois das 23h, no segundo minuto de filme, já tinha os olhos fechados, os ouvidos incertos e a mente distante. Tanto que adormeceu no meu colo e apenas me contou sobre seu sonho, no dia seguinte. Mas olhem o guri: o menininho me esperou chegar da aula - já tarde da noite- para estourarmos o primeiro saco de pipoca de micro-ondas. E quando cheguei, ele logo foi me narrando empolgado o que acontecera na “parte 1” do filme.
Descubramos juntos qual máscara nos cai melhor pra esse baile de máscara que é a vida.
No sofá, nós (eu e o menino) vibrávamos com cada soco do Aranha; com cada vilão que ele prendia; com cada assalto a banco que o nosso herói impedia. E ali, ao menos naquele momento, pouco importava se o vilão estava roubando um banco para salvar a vida de sua filha adoentada, que tem os mesmos 5 anos que o garoto do meu lado do sofá, e que, assim como ele, deve ser fã do Aranha. O que importava mesmo era a comunhão de sentimentos entre um menino de 5 anos e um rapaz de 25.
Depois do filme me peguei perguntando a mim mesmo o que era aquilo que compartilháramos.Claro, era o dinamismo da ação e do thriller envolvente, mas era também, parece-me, o desejo que todos temos de fantasiar que pelo menos por um momento nós temos super poderes e somos capazes de transformar a realidade conforme nossos desejos, mas também conforme os desejos da sociedade em que vivemos. Afinal, não é à toa que o Aranha estava impedindo um assalto ao banco, o Zorro impede o roubo de galinhas e o V explode o parlamento desses políticos safados que estão aí.
Ao contrário dos heróis, nós não temos respostas prontas para justificar o que quer que seja, mesmo uma seção de cinema com heróis, seja ele o mais tradicional Batman ou o mais revolucionário V. Mas nós temos esse sentimento de que a fantasia – em todos os sentidos – é importante para a nossas vidas. Nós vivemos essa fantasia no Carnaval, e agora, em outro momento, queremos viver de novo numa seção dupla.
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(Manoel/Rafa)




