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Há tempos eu admirava o Mandela, mas conhecia bem pouco sobre a história dele. Recentemente vi o filme Invictus, do Clint Eastwood, e até escrevi no meu blog (antes de ver o filme) sobre o assunto. Reposto aqui o texto que o Mandela dá para o Pienar (no filme o texto que ele dá é o poema que postamos antes). O texto é do presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, e foi proferido por ele numa palestra na França. O título é Man in the Arena. Eis um pedaço do texto (completo, aqui), em inglês e com tradução minha:
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It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.
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Minha tradução:
Não é o crítico que conta; nem aquele que aponta como o forte tropeça, ou onde os atos de um homem prático poderiam ter sido melhores. O crédito pertence ao homem que está em ato na arena, cuja face é marcada por poeira e suor e sangue; que luta valorosamente, que erra, que vacila uma vez e de novo, porque não há esforço sem erro e fraqueza; contudo aquele que realmente se esforça para atuar, que conhece grande entusiamos, as grandes devoções, que se entrega a uma causa valorosa, que no melhor momento conhece no final o triunfo da elevada realização, e que no pior, se ele falha, pelo menos falha enquanto ousa grandemente, de tal forma que seu lugar não deve ser jamais com essas almas frias e tímidas que não conhecem a vitória nem a derrota.
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É uma tradução difícil, embora mais fácil que o poema. Algumas dificuldades que tive: “doer”, pelo que entendi, é simplesmente aquele que faz, o fazedor (do-er, como ‘maker’). Há um texto, se não me engano do Borges, cujo título é El Hacedor. Difícil traduzir pro português, já que ‘o fazedor’ não é muito adequado.
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Deeds seria ‘feito’, ‘ato’ ou ‘ação’, de forma que “doer of deeds” seria “o fazedor de feitos” ou “fazedor de atos”. Mas fica ruim assim. Escolhi “os atos de um homem prático”, que também é ruim. Pensei em atos de um ator, de forma que ator seria aquele que faz atos. Talvez não fosse longe da origem do termo ator, mas ia passar um sentido muito diverso com o significado atual de ator em português.
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Outra parte que gostei no original, mas de difícil tradução, é quando ele diz: who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming. A origem de “shortcoming”, ao que parece, é justamente short + coming, que é justamente o que ele diz antes de usar shortcoming: “who comes short again and again”. Ou seja, ele faz um jogo de palavras muito difícil de traduzir. Eu optei por “vacila” (comes short) e fraqueza (shortcoming), mas obviamente é uma tradução limitada.
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Esse excerto é obviamente um elogio ao homem prático, ou homem de ação, que assume os riscos de não ficar parado, contemplando ou apenas criticando sem colocar a mão na massa. O homem na arena (título) é também uma referência explícita às arenas romanas. No discurso completo, Roosevelt fala da importância do cidadão comum e dos líderes para o sucesso de uma democracia. Falando para uma audiência que era elite na França, alerta para os deveres (duties) dessa elite. No parágrafo que precede ao excerto postado, diz: “beware of that queer and cheap temptation to pose to himself and to others as a cynic, as the man who has outgrown emotions and beliefs, the man to whom good and evil are as one. The poorest way to face life is to face it with a sneer”. E ainda “…There are many men who feel a kind of twister pride in cynicism; there are many who confine themselves to criticism of the way others do what they themselves dare not even attempt”.
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Discurso ‘surpreendentemente’ atual em face dos comentários feitos pelos “especialistas” em política externa sobre a tentativa recente do Lula de negociar um acordo no Irã. Mas isso é outra história…
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(Manoel)
